O Globo – 6
de outubro de 1996
Extremamente bem-vindo o artigo do diretor da
área externa do Banco Central Gustavo Franco e a sua ampla divulgação pela
Imprensa.
Os brasileiros ficam
assim sabendo como alguns países asiáticos com grande abertura para o exterior
tiveram pouca dificuldade com a crise da dívida dos anos 80 embora estivessem
muito endividados. Isto porque, como aprenderam os banqueiros na época, a
variável relevante no caso é a exportação e não o total da dívida sobre o
Produto Interno Bruto (PIB). Fica-se sabendo. também, que o modelo brasileiro
antigo, altamente fechado em relação ao exterior, vinha mostrando seu
esgotamento nas últimas décadas quando medido pela produtividade total dos fatores
(PTF), conceito que tenta capturar o resíduo do crescimento não explicado pelos acúmulos de capital e trabalho.
Aqui cabe a ressalva
que tem sido divulgada por Paul Krugman: este índice também tem sido baixo e,
ás vezes, até mesmo negativo entre os países asiáticos de crescimento econômico
elevado. Outro ponto interessante do artigo
de Franco é o do baixo índice de exportação das filiais das empresas
multinacionais baseadas no Brasil em
comparação com a de outros países. Além disso, o Brasil vem perdendo espaço na
competição pelo capital externo.
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Como é sabido, a nova
abertura para o exterior ajuda no processo de combate à inflação, uma vez
que a entrada de capital necessária para cobrir o déficit existente no balanço de transações correntes serve
também para financiar o déficit do Governo de forma não inflacionária. o que
poupa os mais pobres e diminui a desigualdade de renda. Nada mais justo.
Convém ressaltar que a
experiência internacional nos mostra que a poupança externa obtida desta forma
nunca vai ser o bastante para se obter crescimento sustentado nos níveis que o
Brasil obteve no passado. E, como a premência por gastos sociais elimina a
volta das altas taxas de poupança do Governo e é improvável um aumento multo
acentuado da poupança privada, a única solução para este problema é a
previdência privada já adotada pelo Chile e por outros países da América
Latina. Infelizmente, o Congresso e o Executivo nada fizeram a este respeito. O
mesmo pode ser dito da melhoria do investimento em capital humano o outro
componente do crescimento econômico.
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Por fim, se bem que a
inserção externa é inevitável e talvez tenha que vir de forma rápida, é
lamentável que ela venha num momento em que o Governo venha mantendo as taxas
de juros estratosféricas devido ao déficit público. Pois, como o câmbio não é
banana, ele cai com os juros altos e por conseguinte cria problemas adicionais
para as empresas industriais. Com isto, podem estar sendo eliminadas firmas
cujo único pecado foi o de terem sido devedoras e não necessariamente
ineficientes do ponto de vista da concorrência externa. Isto é, os benefícios
da abertura comercial seriam ainda maiores se o ajuste fiscal também viesse.
ALOISIO P. ARAÚJO é professor do Impa e da
EPGE/Fundação Getúlio Vargas (FGV)