13/09/2004 - 06h27
Antes do Real, CMN
tinha 20 membros
da
Folha de S.Paulo, em Brasília
O CMN (Conselho Monetário Nacional) é o órgão responsável pela regulação do
sistema financeiro nacional. Entre suas atribuições, está autorizar a abertura
de bancos que queiram operar no Brasil e fixar as metas de inflação seguidas
pelo BC.
Até 1994, o conselho era composto por um total de 20 membros, seis deles
ministros (Fazenda, Planejamento, Indústria e Comércio, Trabalho e
Previdência). Participavam também os presidentes do Banco Central, dos bancos
federais e da CVM (Comissão de Valores Mobiliários, órgão que fiscaliza o
mercado financeiro).
A legislação em vigor à época determinava que o CMN tivesse nos seus quadros um
representante "das classes trabalhadoras" e outros seis escolhidos
pelo presidente da República "entre brasileiros de ilibada reputação e
notória capacidade em assuntos econômico-financeiros". Esses sete membros
cumpriam mandatos de dois anos.
Entre 1993 e 1994, por exemplo, participaram do CMN o então presidente da
Febraban (Federação Brasileira dos Bancos), Alcides Tápias, e o atual ministro
da Agricultura, Roberto Rodrigues, que representava a OCB (Organização das
Cooperativas do Brasil). Os empresários Paulo Cunha e Arthur Sendas representavam,
respectivamente, a indústria e o comércio.
Nova composição
A medida provisória que instituiu o Plano Real, em 1994, modificou a composição
do CMN, que passou a ser formado exclusivamente pelo presidente do BC e pelos
ministros da Fazenda e do Planejamento.
A mesma MP determinou que caberia ao conselho administrar a circulação da moeda
que acabara de ser criada.
O conselho passou a controlar a quantidade de dinheiro emitida pelo governo,
observando sua relação com o nível das reservas internacionais do país --já que
o valor do real era atrelado à cotação do dólar.
Os defensores da atual formação do conselho dizem que o fato de o conselho ter
entre seus membros representantes de setores que eram diretamente afetados por
suas medidas poderia prejudicar sua atuação, que deveria ser isenta de
pressões. Os bancos, por exemplo, participavam de decisões que tinham forte
impacto em suas operações.
Os que defendem a maior abertura do CMN afirmam que, dado o impacto que suas
decisões têm sobre o país, elas deviam ser debatidas também com representantes
da sociedade civil.
O CMN, entre outras coisas, fixa a TJLP (Taxa de Juros de Longo Prazo),
utilizada nos empréstimos concedidos pelo BNDES, e determina as regras de
funcionamento da caderneta de poupança.