Crônicas da Convergência
Ensaios sobre temas já não tão
polêmicos
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Gustavo H. B. Franco
Topbooks / Bolsa de Mercadorias & Futuros
Prefácio: Miriam Leitão
598 páginas / R$59,00
ISBN: 85-7475-125-1
Brochura / 16,0 cm X 23,0 cm
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Há um bordão, nas
redações de jornais, que os editores sempre recitam quando os repórteres se
alongam demais na explicação da matéria que trouxeram da rua: “Senta e
escreve”. São as palavras mágicas para aferir, rapidamente, se o discurso
animado do repórter tem tradução concreta – isto é, se sobrevive em contato com
a frieza do papel.
Gustavo Franco tem um editor imaginário desses na cabeça.
Quando as teses brilhantes do Plano Real orbitavam a
muitos metros do solo, ele foi o membro da equipe que tomou essa providência:
sentou e escreveu. Acabou virando uma espécie de “relator” daquele grupo
histórico, porque aparecia, a cada reunião, com um papel onde ordenara e dera
sentido prático às belas conjecturas da reunião anterior.
Dizem as más línguas que
os economistas constroem suas teses para forjar um sentido à realidade que não
compreendem. Eis aí o principal atrativo destas CRÔNICAS DA CONVERGÊNCIA: a economia jamais é um pretexto para a
pena do autor. Ao contrário, o leitor notará que são textos pregados ao chão da
realidade, e a serviço dela, cada artigo provavelmente nascido de uma dessas
ordens do editor imaginário, ao ver passar uma boa idéia sobre o Brasil e o
mundo: “Senta e escreve”.
E que “convergência” é
essa? Simplificando um pouco, é a notícia que Gustavo Franco vem nos trazer sobre o jogo entre
globalização e antiglobalização, disputado nesta
virada de século: está 1 x 0 para os primeiros. Ou
seja, ele constata que as principais forças políticas no Brasil convergiram
para os consensos internacionais do mercado, numa vitória acachapante das teses
reformistas. “Vitória acachapante” são palavras do autor, e vai aí também uma
notícia sobre sua personalidade: não se espere encontrar nos quase 200 artigos
que se seguem um economista glacial, obcecado pela assepsia e
pela eqüidistância. Gustavo Franco costuma vestir ostensivamente a camisa dos
ideais em que acredita. E deixá-la empapada de suor e barro na peleja com seus
antagonistas. Vejam-no em campo:
“O fato é que, especialmente no período 1999-2005, o
modelo econômico do esquerdismo nacionalista jurássico (...) ficou reduzido a
um punhado de radicais que deixaram o Partido dos Trabalhadores a bordo de uma
melancólica Kombi cor de sangue”.
Eis um crítico sem
cerimônia, que não hesita, por exemplo, em classificar certas idéias
simplesmente como “erradas”, e ponto final. Autoritário, acusarão alguns.
Ousado, defenderão outros. Mas, no final das contas, o fato é um só: Gustavo Franco sentou-se e escreveu um pedaço da história
econômica brasileira; a única escolha inteligente à disposição de convergentes
e não-convergentes é sentar-se e lê-la.
GUILHERME FIUZA
TEXTOS DA QUARTA-CAPA:
Gustavo Franco é um batalhador
incansável por um Brasil melhor. Além de conhecedor profundo do país e de sua
história, ele tem se destacado por abordar temas importantes e polêmicos de
forma clara e isenta, sem medo de contrariar interesses estabelecidos ou
ideologias.
ARMÍNIO FRAGA
Gustavo Franco é um
matador de dragões. Claro que foi ajudado pelos outros guerreiros, mas quem
planejou o ataque e a vitória foi ele. Todos os brasileiros estão em dívida com
Gustavo pela morte da inflação.
ARNALDO JABOR
Otimista incorrigível, Gustavo Franco acredita
que um argumento correto bem argüido é capaz de
convencer até o mais renitente opositor do bom-senso econômico. Os artigos
agora reunidos em
CRÔNICAS DA CONVERGÊNCIA são a prova viva dessa
sua crença, que, se verdadeira, vai permitir ao Brasil tornar-se, num futuro
próximo, um bom lugar de viver para todos os brasileiros.
EDMAR BACHA
O que sempre admirei em
Gustavo Franco foi sua coerência e persistência. Foi assim quando fazíamos o Plano
Real, foi assim no BC e continua agora como articulista a lutar pelo que crê. E
o que é melhor, crê no que estuda, analisa e, no meu entendimento, dá certo. À
capacidade de trabalho Gustavo junta a criatividade. Não é homem de temer
dificuldades, tem imaginação e competência para enfrentá-las e, quanto
possível, resolvê-las. Surpreende agora favoravelmente a
outra qualidade demonstrada: é capaz de escrever de maneira clara e simples, de
modo que o leitor normal do jornal entende o que ele escreve e, mesmo sem ser
especialista, pode aproveitar da leitura, até para, se for o caso, discordar.
FERNANDO HENRIQUE CARDOSO
Um dos mais brilhantes economistas brasileiros, com extraordinários
serviços prestados ao país, explica, em textos acessíveis ao leitor não
especializado, o que era, o que é e o que pode vir a ser o Brasil, se
conseguirmos continuar superando falsos dilemas, reduzindo o espaço para
demagogias, ilusionismos e voluntarismos e ampliando o campo das convergências
possíveis. CRÔNICAS DA CONVERGÊNCIA é um belo livro, em que o todo é mais que a soma das partes.
PEDRO MALAN