O tombo épico dos espertos
Publicado por Guilherme Fiuza - 3/04/07 12:41 PM
Nominimo
Política et cia.
O show de Romário era o espetáculo de Eurico Miranda, para o qual o Botafogo era o sparring, como são os inocentes que não são malandros, ardilosos e mensaleiros. Os espertos contra a maioria inerte diante do seu charme caubói.
E quem virou patrocinador do Vasco? O BMG, Banco
dos Mil Gols (conforme banner à beira do campo) e
também o banco do Marcos Valério, do Delúbio, do
Dirceu e companhia. A coletiva de Romário depois do gol mil ia ser com o logo
do banco das mil bolas no background.
Na entrada em campo, o repórter de uma grande
emissora de rádio traduz a moral hegemônica:
“É um absurdo, um cerco asfixiante em torno do
Romário, um tumulto irracional provocado por pessoas que não fazem parte do
jogo e que não deixam o atleta fazer seu trabalho de
aquecimento, sequer se mover
Nesse Maracanã sem lei, a batalha épica começa com
o Botafogo entrando no gramado com camiseta preta pedindo a moralidade do futebol,
ao menos no futebol, como poderia ter pedido para o resto do país. Uma camiseta
preta carregada de simbolismos, debaixo da qual estava a preto
e branca outrora envergada por Nilton Santos e que, coincidência, foi a
única que Romário não vestiu.
Do outro lado, o Vasco de Eurico – o homem que se
orgulha de mandar na Federação, isto é, de ser maior que o próprio jogo –
patrocinado pelo BMG.
Dessa vez, porém, o destino não quis obedecer às
ordens dos cartolas partidários ou futebolísticos. Prevaleceu a bola, a regra, a coisa simples: quem joga melhor, dentro
das regras, é o vencedor, no esporte como na vida.
Poderia ter sido uma goleada, tamanha a
superioridade moral do alvinegro que, por uma dessas mágicas que só acontecem
com o Botafogo, se traduziu em superioridade técnica. Dentro de campo.
Nem sempre é assim. Mas às vezes a vida cisma de
premiar, contra tudo e todos, um Bebeto, um Carlito, um Arinos, um Saldanha. Premiar a honra.
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Publicado por Guilherme
Fiuza - 3/04/07 12:41
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