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Mentor recebeu R$ 120 mil de
Marcos Valério

Bernardo de la Peña, Demétrio Weber e
Gerson Camarotti
BRASÍLIA. Com a descoberta de que a empresa do deputado
José Mentor (PT-SP), que foi relator da CPI do Banestado,
também recebeu dois cheques do Banco do Brasil num total de R$ 120 mil do
publicitário Marcos Valério, cresceu ontem para sete o número de
parlamentares que receberam diretamente ou tiveram assessores e parentes
entre os destinatários de dinheiro vindo das contas do acusado de ser o
operador do mensalão. O procurador-geral da
República, Antonio Fernando Souza, deve pedir ao Supremo Tribunal Federal a
abertura de inquérito para investigar os parlamentares envolvidos.
Ele passou o dia analisando os dois volumes do inquérito que tramitava em
Minas Gerais e os 32 volumes de documentos apreendidos pela Polícia Federal
mineira. Da papelada, segundo o senador Álvaro Dias (PSDB-PR), consta uma
lista de 129 pessoas que receberam dinheiro das contas de Valério. Para o
procurador-geral, o assunto deve ficar no STF. Na prática, isso significa que
da lista deve constar nomes de parlamentares, assessores ou pessoas ligadas a
eles.
Mentor confirmou que recebeu dois cheques das empresas do publicitário de R$
60 mil cada. Os cheques do Banco do Brasil, segundo ele, são referentes ao
pagamento de honorários advocatícios. O petista contou que entre maio e julho
de 2004 foi contratado por Rogério Tolentino, sócio de Valério, para prestar
consultoria jurídica. Ele alegou sigilo profissional para não revelar os
serviços prestados. Mentor disse que os cheques que totalizam R$ 120 mil
foram emitidos para o seu escritório de advocacia, o José Mentor, Pereira Melo e Souza Advogados Associados. Mentor
acrescentou que o primeiro cheque foi emitido pela Tolentino e Melo
Consultores e depositado direto na conta do escritório. O segundo cheque foi
emitido pela 2S Participações, empresa de Valério e sua mulher, Renilda.
Além de Mentor, os deputado Bispo Rodrigues (PL-RJ),
Josias Gomes (PT-BA), João Paulo Cunha (PT-SP),
Paulo Rocha (PT-PA), José Janene (PP-PR) e Roberto Brandt (PFL-MG) têm ligação direta ou indireta com os
saques feitos na conta da SMP&B no Banco Rural.
As relações de Mentor com o empresário já tinham vindo à tona desde que o
esquema começou a ser investigado: ele aparece na agenda da ex-secretária de
Valério, Fernanda Karina, e no caderno de telefones dele constam dois
celulares do petista.
O deputado foi o responsável pelo relatório da CPI do Banestado,
que acabou não sendo votado. O Banco Rural, por onde passou a maior parte dos
milhões de reais sacados por Valério de suas contas, chegou a ser investigado
pela comissão. Mentor nega que tenha qualquer relação entre o pagamento e o
fato de ter excluído da CPI do Banestado o Banco
Rural do relatório final.
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