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A convergância de
Ensaios do ex-presidente do Bc revelam que suas
polêmicas estão virando consensos
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Por leonardo attuch
O economista carioca
Por isso, causa certa estranheza o título do novo trabalho desse enfant
terrible da economia nacional. É o livro Crônicas da convergência – ensaios
sobre temas já não tão polêmicos (
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Essa mutação não teria ocorrido de forma tão rápida se o presidente Lula
não desse sua contribuição, ao abraçar a política econômica da era FHC. Por isso,
Gustavo afirma que, no governo atual, “o que deu certo foi o que não mudou”. Ainda
assim, ele critica a falta de convicção do PT, que apenas “finge acreditar” no
que faz. O mercado, diz ele, prefere sempre um uísque escocês. Imagens simples
como essa, e com uma boa dose de ironia, são um dos méritos do livro. Gustavo
sabe polemizar, sabe argumentar e também sabe escrever como poucos. Numa de
suas metáforas, sobre experiências econômicas, ele diz que o Brasil já fez um
“kama sutra” cambial – ou seja, testou todas as posições possíveis. Numa outra
imagem, divide o governo Lula em duas metades: Dr. Jeckill (a do bom senso
econômico) e Mr. Hyde (a do impulso autoritário fundado numa superioridade
moral autoconferida e já desmoralizada). Para sorte do País, diz Gustavo, a
primeira metade prevaleceu sobre a segunda.
Como não poderia deixar de ser, a vitória sobre a hiperinflação – de 20
trilhões por cento entre 1980 e 1995 – ocupa boa parte do livro. E das crônicas
salta uma discussão de fundo sobre o passado e o futuro. No retrovisor de
Gustavo, está a imagem do modelo nacional-desenvolvimentista, que fez o Brasil
crescer, mas também plantou as sementes da inflação. No horizonte, o sonho de
uma economia aberta e assumidamente capitalista. É nesse confronto ideológico
que ele comete algumas injustiças. Uma delas, a de definir o ex-ministro Delfim
Netto como “porta-bandeira honorário do Parque Jurássico” e “decano da
feitiçaria nacional”. Afinal, o Delfim “pau na máquina” dos anos 70 já não é o
mesmo Delfim que hoje propõe o déficit nominal zero para a economia. E, no
fundo, lá bem no fundo da sua alma, percebe-se que Gustavo tem até uma certa
vocação para se transformar num Delfim. Se não pelas idéias, ao menos pelo
estilo ferino, preciso e mordaz. ![]()