A coluna que escrevi sobre Rui Barbosa, no
domingo passado na “Folha”, suscitou algumas manifestações contrárias –caso do
jurista e ex-senador Paulo Brossard, em artigo ao “Estadão”--,
mas outras em reforço à tese sobre a dubiedade da atividade pública e
profissional de Rui.
Miguel Barbosa do Rosário foi o responsável
pela transcrição dos Diários de Joaquim Nabuco. A coluna lhe abriu os olhos
para o significado de alguns trechos mencionados.
Não
são apenas episódios ligados ao “Encilhamento” que depõe contra Rui Barbosa.
Marcelo Thadeu Quintanilha Martins pós-graduando
em História Pela PUC-SP, levantou alguns processos judiciais que contaram com a
participação de Rui.
Naquele início dos século
20, havia uma tentativa de enfraquecimento do poder dos “coronéis”
paulistas pelo presidente do Estado. O caminho encontrado foi rastrear os
crimes do Dioguinho, jagunço famoso na época, matador profissional (consultar
“Dioguinho, o Matador dos Punhos de Renda”, de João Garcia, 2002). Em 1898
Duiguinho cortou as orelhas e o nariz de uma mulher a mando do marido. Ela
procurou o governador, que ficou estarrecido. Ocorre que Dioguinho era
protegido de figuras importantes da região, no caso um grande fazendeiro e
Senador da República Alfredo Elis Jr. Mesmo assim, o delegado não teve dúvidas,
invadiu a fazenda do Senador e apreendeu documentos e cartas ligando-o ao
matador, e pediu a sua prisão.
O delegado era uma figura curiosa: jovem, tinha menos de trinta anos, tuberculoso, poeta e jornalista,
além de ex-aluno da São Francisco e filho de Desembargador, conta Marcelo. Na
época não existia ainda a polícia de carreira e os delegados eram escolhidos a
dedo pelo governador
Sem proteção, Dioguinho foi morto numa
emboscada e o Senador defendido por Rui Barbosa. Apesar das provas, Rui alegou o costume
brasileiro de receber bem na sua casa todo tipo de gente. Era um hábito nobre
que não podia ser confundido com crime, ou proteção ao criminoso. E venceu.
Bandeiras, bandeiras, causas pessoais à
parte, parece ser a lição do episódio
Email:
Luísnassif@uol.com.br