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Editorial -O Estado de São Paulo, 8 de abril de 2002
Após seis meses de
trabalho, entremeados pelo
recesso parlamentar do final do ano, a Comissão Parlamentar de Inquérito instalada
na Câmara dos Deputados para investigar o Programa de Estimulo a Reestruturação
do Sistema Financeiro Nacional (Proer) chegou à conclusão inevitável: "O
Proer foi uma necessária intervenção do poder publico para evitar um mal
maior”.
O relatório final da CPI, elaborado pelo deputado
Alberto Goldman, não apenas reconhece que o Proer evitou que, a partir de 1995,
houvesse uma crise sistêmica no setor financeiro, como ressaltou a presteza com
que o governo agiu para impedir que o "efeito dominó" da quebra de
alguns bancos em situação precária afetasse instituições que
tinham situação equilibrada. "Essa é a obrigação do dirigente publico:
urna postura ativa, diligente", afirmou Goldman em seu relatório. "A
omissão diante da percepção de uma possível crise, seria um crime
indesculpável”.
O documento reconhece ainda que os controladores dos
bancos que foram liquidados ou receberam ajuda do Proer não foram pessoalmente
beneficiados, pois passaram a responder civil e criminalmente pelos danos
causados pelos atos de administração fraudulenta ou temerária que praticaram.
Essa CPI, cujos trabalhos devem se encerrar quarta-feira, com a votação do relatório do deputado Alberto Goldman, havia sido proposta há seis anos, por iniciativa do deputado Milton Temer, do PT do Rio de Janeiro. Em setembro do ano passado, mesmo podendo adiar indefinidamente a instalação da CPI, o governo e suas lideranças no Congresso entenderam que o esclarecimento dos fatos relativos ao saneamento do sistema bancário privado, no ano das eleições, privaria a oposição de um de seus cavalos de batalha, isto é, da exploração das suspeitas nunca confirmadas de que o processo foi cercado de irregularidades.
Assim, a CPI foi
instalada, chegando agora à
conclusão de que "O Proer
preservou os correntistas, os empregos e o sistema bancário", ainda que ao
custo de "alguns milhões de reais".
Não se poderia, de fato, evitar os
riscos de colapso sistêmico dos bancos
sem que houvesse um custo para os contribuintes. Mas o fato é que o saneamento do sistema bancário brasileiro foi um dos mais
bem-sucedidos e baratos de que se
tem notícia. O total de recursos empregados foi de R$ 20,35 bilhões, mas a
estimativa conservadora do Banco Central é de que haverá uma perda de cerca de
R$ 5,870 bilhões ao fim da liquidação das operações do Proer, o que equivale a
menos de 1% do PIB. No Chile, o custo do saneamento do setor bancário foi de
19,6% do PIB; na Venezuela e na
Argentina, de 13%; na Finlândia, de 8,2%; e nos
Estados Unidos, de 5,1%.