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Economia &
Negócios Culpados por
decidir
Ações
judiciais atormentam as autoridades mesmo quando deixam o
poder
 Ronaldo França
Neco Varella/Ag. O
Globo
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FERNANDO HENRIQUE
CARDOSO Ex-presidente da República 200
ações judiciais* Como se defende: com a Advocacia-Geral da
União. Um advogado do PSDB acompanha
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Egberto
Nogueira
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Ana Araujo
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GUSTAVO
LOYOLA Ex-diretor e ex-presidente do Banco
Central 18 ações Como se defende: apenas
com os advogados do Banco Central |
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EVERARDO
MACIEL Ex-secretário da Receita
Federal 6 ações* Como se defende: com
advogados particulares, mas ele mesmo ajuda em sua defesa
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Bia
Parreiras
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Jamil
Bittar/Reuters
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GUSTAVO
FRANCO Ex-diretor e ex-presidente do Banco
Central 14 ações Como se defende: apenas
com os advogados do Banco Central |
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ARMÍNIO
FRAGA Ex-diretor
e ex-presidente do Banco Central 13 ações Como se defende: apenas
com os advogados do Banco Central
| * Estimativa
O Congresso
deverá votar, na próxima semana, a medida provisória sobre o foro
privilegiado concedido pelo governo ao presidente do Banco Central,
Henrique Meirelles. Caso seja confirmada, o presidente do BC seguirá
com a prerrogativa de responder a processos apenas no Supremo
Tribunal Federal. É um privilégio que se concedia somente ao
presidente e seu vice e a ministros de Estado, senadores e deputados
federais. A medida causou polêmica porque foi apresentada após uma
série de denúncias de irregularidades supostamente cometidas por
Meirelles. Seria, segundo seus críticos, uma proteção indevida. Na
votação da MP, será apreciada uma emenda do deputado Miro Teixeira
que estende o benefício a todos os ex-presidentes do banco. A idéia
conta com a simpatia de dez entre dez ex-integrantes do alto escalão
do governo. São raros os que passaram pelo poder sem sofrer pelo
menos uma ação judicial motivada por medidas implementadas no
exercício da função. Pior: as ações acompanham seus alvos quando
eles deixam a vida pública.
O ex-presidente
Fernando Henrique Cardoso responde a quase duas centenas de ações. O
ex-secretário da Receita Federal Everardo Maciel estima que, em seu
caso, sejam apenas seis, mas elas estão lá para atormentá-lo. Na
Caixa Econômica Federal, os últimos cinco presidentes respondem a
processos. No BNDES, nada menos que dezoito funcionários – quatro
ex-presidentes e catorze ex-diretores – estiveram com os bens
bloqueados durante duas semanas, por efeito de uma liminar. As
autoridades econômicas são os alvos preferenciais. No Banco Central,
38 pessoas estão na mira de ações judiciais, incluindo cinco
ex-presidentes e sete ex-diretores. Uma das críticas mais freqüentes
é que a Justiça tem sido pouco criteriosa no acolhimento dessas
ações. "É notório que, quando isso ultrapassa o limite razoável, o
administrador se sente tolhido. Isso pode afetar a qualidade da
gestão", afirma Armínio Fraga.
A
vulnerabilidade produz um incômodo adicional, principalmente para
quem já deixou o governo. Implica audiências no fórum, reuniões com
advogados e a necessidade de guardar a memória de todos os fatos dez
anos depois que ocorreram. O ex-ministro Pedro Malan, por exemplo,
ainda responde por uma ação de improbidade movida em 1994, quando
era presidente do BC. Gustavo Franco ganhou três novas ações, em
2003, por decisões em sua gestão no Banco Central, do qual saiu em
1999. "A impressão é que têm clara motivação política, já que muitas
vezes o processo é encerrado por falta de interesse de quem o moveu.
Só serve para chatear", afirma Franco. São pouquíssimas as ações em
que existe o risco de uma condenação, que implicaria a perda dos
direitos políticos e a devolução de quantias milionárias aos cofres
públicos.
O governo
brasileiro se encarrega da defesa de seus altos ex-funcionários,
quando os processos são movidos contra ações praticadas no exercício
do cargo. Ninguém precisa pagar nada ao governo por isso. Uma das
raras exceções no Brasil é a Receita Federal, em que apenas o
secretário tem direito a defesa especial. Um fundo foi formado
especialmente para oferecer ajuda de custo na contratação de
advogados particulares aos demais funcionários. O subsídio chega a,
no máximo, 4.000 reais por ação. Como cada uma pode demandar até
oito anos para terminar, um advogado que aceite a missão tem de se
dispor a trabalhar por um honorário médio de 41,60 reais por mês.
Everardo Maciel prefere se defender com advogados particulares.
Desde que deixou o cargo, há um ano e meio, ele já desembolsou
20.000 reais com honorários e, meticuloso, acompanha tudo com
extrema atenção. O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso entrega
sua defesa à AGU, mas, por zelo, um advogado do PSDB acompanha seus
processos. O foro privilegiado é uma tendência mundial. É assim nos
Estados Unidos, França, Itália, Espanha e vários outros países. Os
presidentes americanos desfrutam total imunidade para os atos do
cargo. Excluem-se, claro, crimes comuns, mesmo que cometidos na
vigência do mandato. "No Brasil, um governante é processado porque
errou. Errar não é crime. Faz parte do trabalho", afirma o jurista
Joaquim Falcão. O desafio brasileiro é abolir o clima de inquisição
sem emascular as investigações.
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