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ENSINO
Mestres do primeiro escalão
Medalhões da era FHC dão aulas
concorridas na PUC
Fabio Brisolla
Cláudia Martins/Strana
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Alunos
no prédio de pilotis da PUC: aulas com professores egressos do
governo |
O
início do segundo semestre na Pontifícia Universidade Católica criou
grande expectativa no departamento de economia. A razão era a
chegada do novo professor, o ex-ministro da Fazenda Pedro Malan,
escalado para a aula de sexta-feira, às 10 da manhã, na sala 200 do
edifício Frings. A primeira aula foi cercada por cuidados inauditos
na universidade. Dois seguranças e dois funcionários da PUC ficaram
a postos na porta da sala, para controlar o acesso dos alunos. Cada
um dos 25 selecionados para a matéria seminário de economia aplicada
teve o nome checado na lista antes de entrar. Tamanha precaução só
houve na primeira aula, para evitar a presença de curiosos. Na
semana seguinte, tudo voltou ao normal. E normal para os alunos de
economia da PUC é conviver com professores que estão ou estiveram em
cargos públicos de primeiro escalão. O quadro docente atual inclui,
além de Pedro Malan, o ex-presidente do IBGE Sérgio Besserman, o
ex-diretor de política econômica do Banco Central na gestão de
Armínio Fraga, Ilan Goldfajn, o ex-presidente do Banco Central do
governo FHC, Gustavo Franco, e dois professores integrantes do
governo Lula: Afonso Bevilaqua, diretor de política econômica do
Banco Central, e Eduardo Henrique Loyo, diretor de estudos especiais
do BC. Entre os ex-professores estão outros medalhões da economia
nacional: Winston Fritsch, Pérsio Arida, André Lara Resende, Pedro
Bodin, Armínio Fraga e Francisco Lopes. Malan está em sua segunda
passagem como professor da PUC. A primeira começou no fim da década
de 70. "Tive alunos como Armínio Fraga, Gustavo Franco, Helena
Landau, Pedro Bodin. Mas, em agosto de 1983, parei de dar aulas e
fui trabalhar em Nova York", lembra Malan. Desde então ele esteve
fora das salas de aula.
Fotos Cláudia Martins/Strana
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Cláudia
Martins/Strana
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SÉRGIO
BESSERMAN Ex-presidente do IBGE Matéria: economia brasileira
contemporânea Curso:
graduação em economia "Na PUC há um consenso
sobre as grandes questões da economia nacional, apesar das
diferenças de pensamento de cada um." |
ILAN GOLDFAJN Ex-diretor de política econômica do
Banco Central Matéria:
seminário de economia aplicada Curso: graduação em economia "O
contato com a universidade é importante para continuar me
reciclando." |
Após
deixar o Ministério da Fazenda, ao fim do mandato de Fernando
Henrique Cardoso, Malan assumiu o cargo de vice-presidente do
conselho de administração do Unibanco. Apesar da agenda abarrotada
de compromissos, ele encontrou brecha para a vida acadêmica. E se
diz já adaptado nesse retorno às salas de aula. "Senti apenas uma
mudança: estou vinte anos mais velho", brinca. O ex-ministro optou
por lecionar uma matéria eletiva, que, evidentemente, acabou se
tornando uma das mais disputadas no curso de economia. O privilégio
de freqüentar as aulas de Malan cabe a alunos em fim de curso e com
maior média geral. Em sala, Malan frustra aqueles que esperavam que
o ex-ministro revelasse situações que viveu no poder ou que fizesse
comparações entre os ditames econômicos dos governos. Ele enfoca,
tão-somente, a história econômica.
O
professor Ilan Goldfajn reconhece que a passagem pelo governo
desperta interesse nos estudantes. No fim do governo FHC, ele foi
diretor de política econômica do Banco Central. "A pessoa passa a
ter mais argumentos para ensinar. Costumo relacionar alguns temas e
exemplos que ocorreram quando eu estava no governo", diz Ilan. Outra
aula concorrida é a do economista Sérgio Besserman, que no início do
ano voltou à PUC para sua segunda temporada como professor. Ele
começou a dar aulas na universidade em 1983 e parou em 1990, quando
passou a ocupar cargos executivos no BNDES. Em 1999, deixou o banco
para assumir a presidência do IBGE, onde ficou até o fim do ano
passado. Besserman também recorre a sua experiência em cargo público
para ilustrar as aulas. "Estou mais ligado aos dilemas que os alunos
vão enfrentar", diz ele. Besserman cita números para avaliar sua
atuação em sala. "Acho que sou bom professor. Afinal, fui três vezes
homenageado especial e duas vezes paraninfo", diz, bem-humorado.
Ricardo Stuckert
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Patrícia Santos/Folha
Imagem
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PEDRO
MALAN Ex-ministro da Fazenda Matéria: seminário de economia
aplicada Curso: graduação
em economia "Tenho 25 alunos terminando a graduação. É
uma turma excelente." |
GUSTAVO FRANCO Ex-presidente do Banco Central Matéria: monografia (ele é
orientador) Curso:
graduação em economia "Não há nada igual a estar em um
ambiente acadêmico marcado pela excelência."
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A
história de Gustavo Franco com a PUC também é extensa. Ele começou a
dar aulas em 1986 e parou sete anos depois. O retorno foi em 1999, e
sua aula de reestréia foi tumultuada. "Tinha acabado de sair do
Banco Central e quando cheguei para a aula havia uns quarenta
jornalistas me aguardando na porta da sala", lembra Gustavo. Durante
o curso, ele tratou de um polêmico assunto da época: o câmbio. O
ex-presidente do BC enfrentou críticas por ter mantido a cotação
fixa do dólar. Os alunos acabaram tendo uma abordagem privilegiada
da discussão. "Preparei um curso com temas em que me envolvi
profundamente no governo." O departamento de economia da PUC tem 450
matriculados e forma por ano sessenta alunos. "Na PUC, o conjunto é
mais do que a soma das partes. Daí o fato de termos tornado a
universidade uma referência no pensamento econômico brasileiro", diz
Gustavo Franco, apostando que a PUC vá fornecer novos quadros para o
primeiro escalão do poder. |